Livro Contos e Apólogos - Lição 5- "EU" CONTRA "EU. - IRMÃO X
- IRMÃO DO CAMINHO

- 2 de ago. de 2025
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Atualizado: 3 de ago. de 2025
05 - "EU " CONTRA "EU"
Quando o Homem ainda jovem desejou cometer o primeiro desatino, aproximou-se o Bom Senso e observou-lhe.
-Detém-te! Por que te confias assim ao mal?
O interpelado, porém respondeu orgulhoso:
-Eu quero.
Passando, mais tarde, à condição de perdulário e adotando a extravagância e a loucura por normas de viver, apareceu a Ponderação e aconselhou-o:
-Pára! Por que te consagras, desse modo, ao gasto inconseqüente?
Ele, contudo, esclareceu jactancioso:
-Eu posso.
Mais tarde, mobilizando os outros a serviço da própria insensatez, recebeu a visita da Humildade, que lhe rogou, piedosa:
-Reflete! Por que te não compadeces dos mais fracos e dos mais ignorantes?
O infeliz, todavia, redargüiu colérico.
-Eu mando.
Absorvendo imensos recursos, inutilmente, quando poderia beneficiar a coletividade, abeirou-se dele o Amor e pediu:
-Modifica-te! Sê caridoso! Como podes reter o rio das oportunidades sem socorrer o campo das necessidades alheias?
E o mísero informou:
-Eu ordeno.
Praticando atos condenáveis, que o levaram ao pelourinho da desaprovação pública, a Justiça acercou-se dele e recomendou:
-Não prossigas! Não te dói ferir tanta gente?
O infortunado, entretanto, acentuou implacável:
-Eu exijo.
E assim viveu o Homem, acreditando-se o centro do Universo, reclamando, oprimindo e dominando, sem ouvir as sugestões das virtudes que iluminam a Terra, até que, um dia, a Morte o procurou e lhe impôs a entrega do corpo físico.
O desditoso entendeu a gravidade do acontecimento, prosternou-se diante dela e considerou:
-Morte, por que me buscas?
-Eu quero - disse ela.
-Por que me constranges a aceitar-te?-gemeu triste.
-Eu posso - retrucou a visitante.
-Como podes atacar-me deste modo?
-Eu mando.
-Que poderes te movem?
-Eu ordeno.
-Defender-me-ei contra ti - clamou o Homem, desesperado -, duelarei e receberás a minha maldição!...
Mas a Morte sorriu imperturbável, e afirmou:
-Eu exijo.
E, na luta do "eu", contra "eu", conduziu-o à casa da Verdade para maiores lições.
REFLEXÃO
No texto, Irmão X narra na parte introdutória o seguinte:
"Quando o Homem ainda jovem desejou cometer o primeiro desatino, aproximou-se o Bom Senso e observou-lhe."
Convém notar que Irmão X usa o verbo "DESEJAR", ou seja, nos informa sobre o nosso "LIVRE ARBÍTRIO" que pode ser entendido como LIBERDADE DE ESCOLHA.
É de se ressaltar ainda que ao prosseguir a narrativa, Irmão X informa sobre a "APROXIMAÇÃO DO BOM SENSO" que ao longo da página faz observações à personagem central. Em outras palavras, há sempre um aconselhamento.
Em nosso dia-a-dia somos visitados por esse "aconselhamento" constantemente. É o que podemos chamar de "NOSSA CONSCIÊNCIA" a nos ditar o que é certo ou errado.
No livro "Camino Verdade e Vida", ditado pelo espírito Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, em sua lição 164 de título "NÃO PERTURBEIS", o mentor de Chico esclarece que a CONSCIÊNCIA é a SENTINELA VIGILANTE DO ENTERNO.
Podemos então aferir que, toda a vez que nossa consciência nos alertar sobre o certo e o errado, estamos diante de uma escolha que nos põe em contato com o nosso LIVRE ARBÍTRIO. Seria como se estivéssemos em uma encruzilhado para prosseguir por dois caminhos diferentes. E dependendo da nossa escolha, nos aproximamos ou nos afastamos dos ensinamentos do Cristo e, por conseguinte, da vontade do Pai Celestial.
E o nosso Homem do texto do Irmão X foi visitado pela consciência a lhe convidar ao BOM SENSO, à PONDERAÇÃO, à HUMILDADE, ao AMOR, à CARDIDADE, à JUSTIÇA, em suma, a inúmeras virtudes que devemos adquirir no processo da construção do templo divino em nosso coração.
Todavia, a personagem do Irmão X preferiu ceder às vozes do ORGULHO, da ARROGÂNCIA e da CÓLERA, e, na continuidade narrativa, nos diz o texto:
"... acreditando-se o centro do Universo, reclamando, oprimindo e dominando, sem ouvir as sugestões das virtudes que iluminam a Terra, até que, um dia, a Morte o procurou e lhe impôs a entrega do corpo físico."
"E aqui está a grande lição, meus amigos. A Morte, que muitos veem como o fim, é para nós, espíritas, a grande libertadora, o portal para a verdadeira vida. Diante dela, as imposturas do "eu" egoísta caem por terra. O Homem que um dia disse "Eu quero", ouve da Morte: "Eu quero" – e não pode negar. Aquele que disse "Eu posso", ouve da Morte: "Eu posso" – e se vê impotente. O que bradou "Eu mando", ouve da Morte: "Eu mando" – e se curva à soberania da Lei. O que "ordenou" a retenção das oportunidades sem socorro às necessidades alheias, ouve da Morte: "Eu ordeno" – e percebe a inevitabilidade da partida. E aquele que impôs "Eu exijo", ouve da Morte: "Eu exijo" – a quitação de todos os débitos contraídos." (interpretação gerada por inteligência artificial com uma pequena correção do autor).
A "morte" não age por capricho, mas como instrumento da Lei Divina. E, no texto, ela conduz a nossa personagem à "CASA DA VERDADE". E que casa seria essa? A PÁTRIA ESPIRITUAL. E porque casa DA VERADADE? Porque nos deparamos com a verdade da imortalidade do espírito. Podemos então confrontar a pequenez das nossas escolhas equivocadas que nos afastaram de Deus à magnitude das nossas possibilidades desperdiçadas que nos tornariam pequenos diante dos homes, mas grandes diante do Criador.
E o amor de Deus em sua infinita misericórdia, nos oferece, na reencaração, a oportunidade de, seguindo o evangelho do Cristo, vencermos a batalha do "EU" contra "EU".


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